Donnie Darko

donnie-darko.jpg

A primeira vez que ouvi falar sobre este filme foi em algum artigo que falava da carreira da Drew Barrymore, de como ela se livrou das drogas e começou a construir uma carreira (?) como atriz e também como produtora. Para surpresa de alguns, ela não produziu só títulos como Nunca Fui Beijada, As Panteras e As Panteras Detonando. Em meio à hollywoodianisse, surgiu interesse em produzir Donnie Darko, lançado em 2001.

O filme foi escrito e dirigido por Richard Kelly e conta uma história de um adolescente que tem umas visões um tanto quanto esquisitas e envolve viagens no tempo, um coelho gigante medonho e vários simbolismos. Apesar de ser um filme independente, com uma verba reduzida, conseguiu juntar um elenco interessante: Jake Gyllenhaal no papel de Donnie, sua irmã de verdade Maggie Gyllenhaal interpretando sua irmã no filme (na fotinho aí, juntos), Patrick Swayze (num papel hilário), Noah Wyle, entre outros atores bacanas.

Jake e Maggie Gyllenhaal

Gostei muito do filme, especialmente porque te faz pensar, questionar e discutir com mais alguém se era assim ou assado.

Além de fazer a pesquisa básica na internet (com o intuito de “encaixar as peças”), eu fui ver o filme com os comentários do diretor. Aliás, já adianto q minha intenção não é escrever nenhuma teoria mirabolante sobre o que eu achei do filme. Se vc já o viu e tem interesse em ler sobre isso, tente esse blog ou esse.

Voltando…Já tentei assistir outros filmes comentados pelo diretor antes, mas desistia logo no início. Sabe, é meio chato o diretor ficar apontando todas as coisinhas que você devia ter reparado, mas não o fez sabe-se lá porquê, ou falando sobre mil influências, ou a posição certa do ator no set, etc. e tal. Mas assistir os comentários no extras do dvd deste filme foi bem prazeroso e, em certos momentos, engraçado. Claro que o fato de o diretor dividir a função com o próprio Jake Gyllenhaal faz uma diferença, porque o menino é um, ahmm, fanfarrão! Tira sarro, imita outros atores, conta piadas… Enfim!

Seguem algumas curiosidades pra quem não tiver/teve paciência de ver os extras:

1. O filme foi rodado em 28 dias, dentro de um orçamento de US$ 4.5 milhões.

2. O orçamento contido rendeu algumas mudanças, como trocar West End Girls, do Pet Shop Boys, por Notorious, do Duran Duran, como música da apresentação de dança da irmãzinha de Donnie. Acontece que a gravadora do Pet Shop Boys estava pedindo mais grana pelos direitos autorais do que o Duran Duran. 

3. Outra sobre direitos:

smurfete.gifDrew Barrymore pediu e obteve (!) autorização para usar bonecos dos Smurfs para eles servirem de alvo numa cena em que Donnie e seus amigos brincam com uma espingarda. O engraçado é que o que embala a cena é uma discussão bizarra sobre orgias no mundo dos Smurfs e a real missão da Smurfete no mundo dos homenzinhos azuis. E o que é mais irônico é que o difícil não foi conseguir a autorização pra usar os bonecos, mas sim achar os benditos! A saída foi usar garrafas de vidro como alvos…

4. Christina Applegate, que fez Married with Children nos anos 80 e agora tenta emplacar em alguma outra série de comédia, é a estrela de TV com quem Donnie fantasia. Mas a idéia original era citar a Alyssa Milano, que, na época em que se passa o filme, fazia parte do seriado “Who´s the boss”. Eles mudaram de idéia porque a mãe de Alyssa Milano ameaçou, tipo assim, processá-los. Bom, com esses cabelos bufantes dos anos 80, a comparação fica difícil!

174926__alyssa_l.jpg                   capplegate_210x210_4.jpg

5. O menino que interpreta aquele que inferniza a vida de Donnie na escola é um cara que já foi mencionado aqui no blog! É o Alex Greenwald, que colaborou numa faixa do Mark Ronson. Hmmm, não sei não hein… Essa coisa de premonição, sinal, coisa do presente e do passado… Tudo muito esquisito!

Melhor parar por aqui.

~ por Piti em Março 12, 2008.

2 Respostas to “Donnie Darko”

  1. Eu compreendi este filme com um outro olhar! Na verdade o que importa em Donnie Darko não é o roteiro em si, as explicações,os entendimentos. Mas sim o que está por trás disso!

    O filme demonstra claramente uma crítica magnifica a sociedade, aos aspectos morais, a familia, as instituioções, ao amor, ao sentido da vida e a religião! A doença (esquizofrenia) de Donnie é somente uma forma de conceituar a forma como ele percebe a realidade, uma vez que em todos os casos de estruturas psicóticas (como no caso da esquizofrenia), o sujeito nao percebe o real da forma como nós, indivíduos neuróticos percebemos o mundo que nós cerca! Nos casos de esquizofrenia a pessoa se volta para si mesma, ou seja, não tem um contato com o outro, com as regras sociais, com as sociedade e suas leis. Essa pessoa é movida por impulsos e desejos (agressivos e sexuais), fazendo com que, no filme, este aspecto psicótico sirva como um ataque à todas as instituções presentes (familia, igreja, escola, etc.).

    A doença de Donnie (incluindo seus atos impulsivos, sua necessidade de não se guiar conforme regras sociais e suas alucinações) é somente uma forma bem elaborada de fazer uma crítica social parecer inofensiva aos olhos de quem assiste ao filme.

    Isto tudo fica evidente quando o diretor enfatiza o “OLHO”. Frank tem o olho furado, Donnie ataca o olho de Frank, na cena em que ele volta para o quarto, ele está ao lado de um olho gigante. O olho é o orgão responsável pelo contato com a realidade, sem ele seriamos guiados por instintos, não veriamos o outro, não saberiamos como nos reportar aos aspectos sociais. O olho é simbólico neste caso, e serve para representar a crítica que contém no filme.

    Donnie, por meio de suas alucinações, ataca a instituição de todas as formas. O machado na cabeça do cachorro (símbolo da escola) comprova este ataque. É um ataque sutil, simbólico que tem como objetivo a destruição do institucional (por isso Donnie faz o que vem a cabeça, não segue regras e nem padrões).

    A discussao sobre os Smurfes, assim como todos os aspectos do filme, segue está mesma lógica, de não recalcar os impulsos sexuais e agressivos comuns aos indivíduos em prol da vivencia em grupos, da constituição da civilização e da possibilidade de amor. O filme retrata perfeitamente o livro “Mal estar na civilização” de Freud por meio de uma metaforização da constituição do social em troca dos nossos instintos primitivos.

    O filme, portanto, realiza brilhantemente a crítica sobre “A renúncia da felicidade em troca de uma parcela de segurança”, fazendo com que os indivíduos fechem seus OLHOS para o real e se prendam às regras de conduta socialmente aceitas.

    O restante: roteiro, trilhas sonoras, brisas e viagens de Donnie são somente floreios para que àqueles que assitem não percebam esta crítica bem bolada logo de cara. É uma forma de possibilitar a reflexão do sujeito, tão importante na sociedade em que nós mesmos estamos inseridos, evitando portanto, a alienação!

  2. Well done…

Deixe um comentário